NOVELA – Aprendendo a confiar em Deus – Capitulo 4: A queda das quedas fenomenais

Segunda, 9 de agosto de 2010

Aviso que o diário de hoje é mais longo e bem detalhado, pois foi o dia. O Jairo e eu acordamos 11h na segunda. O sono rendeu... rs Mas ficou um tanto corrido pra ele, pois eu tinha de tomar banho - no esquema de chamar a prima - o Jairo tomar o seu, almoçarmos e ele ir pro trabalho. Ele precisou dormir um cadim antes de ir pro trampo e acabou por ir um pouco mais tarde.

Entrei no site da Viação Catarinense, pra ver não só se teria ônibus convencional pra Sampa, como o horário. O único convencional saía na segunda, às 20h e avisei a Tita do horário. Combinamos que, às 18h30, ela viria na casa do Jairo, me ajudar a me arrumar, bem como arrumar minhas coisas. Deu 18h30, 18h45 e nada da Tita. Foi passando, 19h, 19h05 e a Tita chegaou. Fiquei um tanto desanimada pra ir, pois achei que não teria mais tempo e já havia planejado ir pra Camboriú, para pegar de lá um bus pra Sampa.

Ela arrumou as minhas coisas, me ajudou a fazer xixi e trocar o "bi" e terminou de juntar as minhas coisas e saiu para buscar o Earle, seu marido. Depois chegaram por volta de 19h25, para irmos. Eu sugeri para que fôssemos na terça, pois achei que não daria tempo. Bem, a Tita estava confiante de que daria tempo e assim fomos; mas passamos ainda no serviço do Jairo pra eu me despedir dele e chegamos em Brusque 19h45. Eles montaram a cadeira, fui ao guichê, a fim de solicitar a passagem pelo PASSE LIVRE, o Earle e a Tita cuidaram de pegar as minhas coisas.

Peguei a passagem e segui na direção do bus, que agora tinha uns 10 minutos pra partir. Não vi um maledeto degrau de uns 25cm ou mais e como uma abóbora madura, mergulhei de joelhos. Lágrimas não saíram. Em compensação, os gritos eram estrondosos. A Tita chorou por mim. Eles tentaram me erguer por trás, mas gritei, pedindo para me deixarem como eu estava, pois eu sabia que tinha quebrado as duas pernas. O guarda da rodô chamou o Corpo de Bombeiros, a fim de me levarem ao Pronto Socorro.

Eu gritava muito e falava da falta de respeito com os "aleijadinhos", pois nem aviso de degrau tinha naquela rodoviária; isso sem falar na rampa homicida. Me veio à mente na hora a idéia de processar a Prefeitura, pois assim, poderia se evitar que outras pessoas caíssem e se ferissem como eu ou pior. Pode acontecer com idosos ou com qualquer pessoa. O degrau é muito alto.

Voltando ao resgate. Agora realizando o terceiro sonho - fui socorrida pelo Resgate, SAMU e agora pelo Corpo de Bombeiros. Mas a dor era tanta que nem vi se os moços eram bonitos... =D A parte difícil foi o trajeto até o hospital, pois as ruas de Brusque são de paralelepípedos. Pulei mais que pipoca e parecia que não chegava nunca. Eu gritei todo o trajeto e a Tita chorava muito, pois se achava culpada do ocorrido. O Earle pegou as minhas coisas e levou para a casa do Jairo. A Tita ligou pra ele, informando-lhe do que aconteceu e ele exigiu que o buscasse, pois ele queria me ver.

No P.A. eu gritava muito, até que uma enfermeira chegou e me falou pra eu parar de gritar, pois outros pacientes estavam ali. A raiva foi tanta, que disse a ela que não eram as pernas dela que estavam doendo. Aí ela disse que sabia, mas era pra eu gritar mais baixo... %#@&* Que ódio! Aí, ela me levou pra uma sala, para me dar uma injeção de Cataflan. Eu tentei dizer que estava com "visita", mas ela não entendeu e disse que teria de cortar as minhas calças, pra poder me medicar. Eu pedi que não, que eu não queria, até que lhe disseram que eu era cadeirante e aí a bola dela baixou de uma forma, a dita ficou uma seda comigo, disse que só abaixaria um pouquinho as calças para aplicar a injeção.

Lembro-me de uma enfermeira que, enquanto eu esperava para ir pro Raio-X, se aproximou de mim, pegou a minha mão e me acariciava, falando com calma para eu ficar tranquila. Ela foi comigo no Raio-X e colocava a minha mão em seu rosto, beijava a minha testa, dizendo pra eu me acalmar e tudo ficaria bem. Ela ajudou o moço a tirar as chapas e depois voltei ao P.A. e ela ficou um pouco mais ali comigo, depois deu uma olhada na sala de medicação, voltou ali onde eu estava e prestou auxílio à uma mulher que estava na maca atrás de mim; eu acho que ela tinha epilepsia, pois a língiua estava enrolada e estava com problemas de respiração. Bem, ela se despediu e saiu e nunca mais a vi. Até me passou pela cabeça a possibilidade de ela ser um anjo.

Eu estava com dor nas nádegas (vou tentar não falar bunda) de ficar deitada de costas na prancha e implorei para me sentarem. O médico, estressado, falou pra eu me sentar. Eu disse que não conseguiria sozinha e pedi a sua ajuda, garantindo-lhe que não afetaria as minhas pernas. Ele me ajudou e não deitei mais.

...A Tita estava ligando pra um monte de gente e depois de algum tempo, foi aonde eu estava. Ela chorava muito, se culpando do ocorrido. Eu estava ouvindo alguns hinos do Elvis Presley e de repente, um sentimento de "cansei de lutar" invadiu a minha mente. Durante dez meses, eu lutei pra conseguir um emprego novo em São Paulo, mas perdi uma grande oportunidade na Natura, pois na ocasião da entrevista, eu estava com TPM e comecei a chorar e não fui aprovada, pois ela precisava de alguém centrado... Comecei um outro processo de um emprego bem mais próximo, ali no Centro Empresarial, com salário de quase mil reais a mais do que eu ganhava, mas o pessoal estava muito enrolado. Minhas contas venceram todas ao encerrar o seguro desemprego e eu pagava o aluguel com o dinheiro que a minha mãe me mandava - 400 reais - e o restante eu comprava comida pra mim e a Cassia. A minha vida espiritual estava um lixo três meses atrás, pois eu não estudava a lição, praticamente não orava e isso me deixou fraca frente às tentações em que o inimigo sabe que sou fraca. O pior foi que não parei de cantar na igreja, o que era uma verdadeira hipocrisia. O tempo foi passando e vi que eu precisava mudar de vida, pois daquele jeito não dava mais. Fui sincera com Deus, disse a ele que eu não gostava de dedicar tempo pra Ele e que precisava aprender a gostar. Comecei a forçar o estudo da lição e de manhã, a primeira coisa que eu fazia era ir pra sala estudar a lição, me forcei ir aos cultos da mata (domingos, às 5h) e na semana de oração na mata, quando acordara todos os dias às 4h20 da matina para ir aos cultos e eu rogava ao Senhor para abrir as portas de um emprego pra mim, bem como uma casa pra eu ficar. Minha mãe pedia pra eu voltar a morar com ela, disse que faria um quartinho adaptado no quintal de casa, a fim de eu morar lá; mas eu sentia que eu não deveria voltar, pois eu adquirira tanta independência, maturidade, ainda que tivesse muito a aprender...

E agora ali estava eu, com as duas pernas quebradas, sem poder fazer qualquer coisa pra contornar a situação. Até quinta, eu brigava com Deus, cobrando-Lhe as bênçãos, cobrando-Lhe respostas e exigindo que a minha oração fosse atendida, ainda que não era isso o que eu sempre preguei e acreditei. Entretanto, ali estava eu inútil, com dores, sem poder voltar pra casa, muito menos sem previsão de quando poderia ver minha família novamente. Então orei ao Senhor, pedindo perdão de tudo o que eu fia, das minhas brigas com Ele, decidindo, a partir daquele momento, aceitar a Sua vontade.

Fui encaminhada para a ala cirúrgica, transferida pra cama sem imobilizar as pernas, pois o ortopedista me atenderia de manhã. Não demorou muito e o Jairo chegou, pronto para passar a noite comigo; passar a noite porque eu não preguei os olhos, pois o bebê aqui só dorme de ladinho e agora teria de dormir de costas e como tenho escoliose e hiperlordose, não tinha posiçao e de 15 em 15 minutos, precisava levantar, a fim de descansar as costas. A coitada da Tita não conseguiu dormir à noite, pois estava chorando o tempo todo.

O Jairo chegou pra me fazer companhia, porque dormir, coitado...

NOVELA - Aprendendo a confiar em Deus – Capítulo 3: A chegada em Guabiruba e um fim de semana perfeito

Sexta, 6 de agosto.

Como mencionei, fui de leito e a viagem foi bem repousante. Cheguei em Balneário por volta de 6h35. Esqueci de comentar que naquela semana, nevou em Santa Catarina. Pensa no medo da criança aqui. Eu amoooo frio (mentira...eu odeio o frio) e eu estava com muito medo de congelar. Minhas roupas todas eram o mais quente que eu tinha e levei uma coberta para cobrir as pernas. O engraçado foi que deixei São Paulo a 13C e cheguei em Balneário Camboriú com mais ou menos 16C. A sensação térmica era de um clima ameno.

Ao desembarcar, foi a missão de procurar a empresa que vendia a passagem pra Brusque. Assim que eu encontrei, comprei a passagem e fiquei esperando o ônibus chegar. Foi dando uma vontadezinha de ir ao banheiro e conversei com o moço da empresa do bus em questão, que disse pra eu ir tranqüila que, além de cuidar da minha mala, ele seguraria o ônibus pra mim.

Cheguei frente ao banheiro, procurando por um portãozinho por onde eu pudesse passar e só vi catracas. Falei à moça da “recepção” que eu queria ir ao banheiro e esta me deu a chave do dito e me apontou onde este estava. Eu fiquei pensando na mente do andante... Sempre generalizam a capacidade ou a limitação dos portadores de deficiência. Acho que deveria haver uma conscientização um pouco maior dos órgãos públicos, empresas, sei lá, para que as pessoas tivessem um tato melhor.

Só um break pra reflexão:

Você mesmo, que está lendo o blog, pode ser que você nunca conviveu com um deficiente. Não estou sugerindo que você corra atrás de um, a fim de que os seus olhos sejam abertos. Eu, particularmente, não exijo muito... hehehe É sério! O que eu quero é uma sensibilidade por parte dos companheiros, que se disponibilizam a me ajudar, que pergunte como e o que fazer e queira fazer como eu orientei. Uma vez quase me derrubaram de uma perua em São Paulo, pois queriam ajudar, nem me perguntaram como, nem me ouviram falar onde pegar. Eu conheço a minha cadeira, meu corpo e sei onde pegar e o que fazer.

Continuando a história, ficou combinado de o Jairo me pegar na rodoviária em Brusque. Ao chegar na rodoviária, eu senti uma dificuldade pra subir uma rampa, a fim de ir até o restaurante. Uma rampa totalmente fora dos padrões legais e eu parei no começo da rampa e esperei até que passasse alguém pra me ajudar. Não poderia subir sozinha, pois eu poderia empinar, já que eu estava puxando uma mala e não conseguiria mesmo. Aí passou uma moça, me oferecendo ajuda. Fui até o restaurante, a fim de tomar café. Pedi um pãozinho na chapa e um leite com um pouco de café e enquanto eu aguardava, resolvi dar uma olhada lá fora e como o Jairo disse que viria com a sobrinha de Kadete, vi um estacionando. Com isso, precisei cancelar o pedido e fui ao encontro do Jairo e da Tita.

A princípio, fomos na casa da Tita, já em Guabiruba, pois ela precisava fazer faxina na casa. Eles discutiram como e onde eu dormiria. Eles consideraram a idéia de eu dormir na casa da Tita, ou na casa do Jairo e a Tita dormiria comigo. Bem, depois que viram uma certa independência e a confirmação de que eu não acordo de madrugada pra nada, fiquei na casa do Jairo mesmo e ela só foi no sábado de manhã me ajudar a me trocar para irmos na igreja.

Depois do jantar, o Jairo me deixou um cadim sozinha, pois teve de ir à igreja para o ensaio do coral. Não demorou muito, principalmente porque eu tinha um notebook e internet pra me distrair.

Assim que ele voltou, chegou o pessoal do grupo dele - Laudi Vocallis - um grupo muito bom, para ensaiarem. Pude contemplar o ensaio e até cantar uma música com eles, com a desculpa de ajudar uma soprano novata e ela não sabia a voz da música Dê uma chance, do Novo Tom. Como precisávamos descansar para o batente do sábado, fomos dormir logo.

Guabiruba, sábado, 7 de agosto.

Bem, a Tita foi por volta de 8h me acordar e me ajudar com a roupa. Na igreja de Lageado Baixo, como é pequena pra tantos membros, o sistema de culto é sanduíche - culto, escola sabatina e culto. Como eu precisava cantar na escola sabatina, tivemos de acelerar um cadim. Fomos pra igreja, cheguei bem na hora de cantar, cantei a música Acredito em Ti, da Príscilla, com alguma dificuldade, pelo fato de a voz não estar aquecida e eu não conseguia alcançar algumas notas. A manhã foi muito boa e fomos almoçar e o Jairo fez empadão de palmito, que eu estava doida pra comer.

Enquanto nos preparávamos pra comer, o Cristiano, diretor JA da igreja, foi até lá, querendo marcar um horário para conversarmos sobre mim, para o programa JA. Como eu não sabia como seria o tempo depois do almoço, passei pra ele o meu blog, para que ele tivesse uma idéia da minha vida, de algumas peripécias minhas.

À tarde, no JA, houve uma divisão de foco, pois era o findi dos pais e sabe como é em programações assim. Cantei, contei bem pouco de mim. Deu um break para a homenagem aos pais. Bem, o Cristiano gostou da postagem das quedas, com ênfase ao desejo de andar de SAMU. Foi muito hilário o momento e todos ali presentes riram; acho que eles pensaram que sou louca... talvez não estejam de todo errados...rss

Ao final, consegui vender 10 CD's e agora teria dinheirinho para pagar algumas continhas... eeeeeeeeeee À noite, assistimos a alguns videos no Youtube e depois fomos dormir.

Domingo, 8 de agosto de 2010.

Bem, pude dormir um pouquinho até mais tarde. A Tita, dessa vez, não pôde me ajudar, pois tinha compromisso com algumas filmagens do grupo em que ela canta. Eu achei que não precisaria de ajuda logo cedo, mas o "número 2" insistiu em pedir pra ser liberto. Com isso, o Jairo foi chamar a sua prima, vizinha, para me ajudar no banheiro. Ao tirar a roupa, vi que o Francisco também tinha me visitado... aquele chato que visita mensalmente... Pensei: agora danou-se, pois o fluxo é intenso e seria constrangedor viajar neste estado. Fiquei preocupada também, pois não tinha levado socorro para este momento. Entretanto, a irmã do Jairo, que é dona da casa onde ele mora e mãe do Naninho e da Tita, tinha deixado um pacote do “salvador” noturno da última vez em que fora lá, o que foi perfeito pra mim.

Bem, o dia correu rapidamente e à noite, aproveitando que eu estava por lá, me chamaram pra cantar no culto, o qual foi, em sua maior parte, uma exposição de fotos da Conferência Geral, em que o pastor, com a sua família desfrutaram. Bem, durante uns 40 minutos, foi esta exposição e só pra não dispensar o povo sem a Palavra, o pastor fez um sermonete sobre a volta de Jesus. Tem muita gente lendo esta postagem e lembrando-se deste dia...

Não dormi muito tarde, pois estava bem cansadinha.

NOVELA: Aprendendo a confiar em Deus - Capítulo 2 – A ida à Santa Catarina

Quinta, 05 de agosto. Eram umas 11h e a Cassia estava de saída para uma entrevista de emprego. Como eu tenho o costume de ir até o UNASP para pegar o ônibus, por ter mais opções de adaptados, pedi a ela que levasse a minha mala e a deixasse na portaria, para que eu não tivesse problemas em sair de casa sozinha com a mala, que estava transbordando. A gente acabou se desentendo e às 15h, com medo de ela nem chegar pra me ajudar, decidi ir pra rodoviária sozinha mesmo, pois precisava chegar com antecedência.

Só estava a Simoneli em casa e naquela hora, iniciaria sua aula de matemática particular com seu aluno. Pedi a ela que apenas colocasse a mala na rua pra mim e comecei a puxar a mala, que na descida era sussa. Na esquina, pedi ajuda para alguém pegar a minha mala, para que eu pudesse atravessar uma valeta e depois a peguei novamente, descendo a Av. Carrillo. Logo depois do ponto de ônibus, começou a subida e a minha tortura. Meu braço começou a doer e eu não agüentava mais puxar, pois nem braço mais eu tinha e assim passei a última lombada da subida e faltavam ainda uns 50m até a Estrada de Itapecerica e o UNASP. Minha salvação foi o motorista do ônibus que eu pegaria parar e o cobrador me colocar pra dentro.

Depois foi o trajeto até o Terminal Capelinha, Metrô Santa Cruz, Tietê, que demorou mais ou menos 2h. Cheguei no Tietê às 18h em ponto, quase 3h de antecedência, a fim de tirar a minha passagem com o PASSE LIVRE. Craro! Tá pensando que vou pagar passagem de bus pra outro estado? Fui até a Viação Catarinense, pra me deparar com a próxima provação. Mais uma: Fui informada de que não poderiam tirar minha passagem, pois o único ônibus que sairia pra Brusque naquela noite era daqueles de dois andares, os DD, com várias poltronas em cima (executivo) e leito embaixo e o passe livre só era válido para ônibus convencional e o único que os filhos de uma boa mãe têm é aos domingos. Pobre é uma coisa.

Com a notícia, foi mais um momento de me desabar aos prantos. Eu estava tão triste com tanta coisa ruim acontecendo. Eu perguntei a Deus o que estava acontecendo e por que. De repente, me vi sem rumo e sinceramente, eu não estava disposta a voltar pra casa. Saí dali e pensei na Assistência Social, que talvez pagasse minha passagem. Mas não parei ali.

Fui direto à ANTT, onde comecei a chorar, explicando o meu drama. Eles começaram a verificar se era só aquele horário, pois algumas empresas têm mais horários e carros, mas acabam por não liberarem os carros pela falta de clientes e se a ANTT pegar isso, a multa é salgada.

Eles então ligaram pra Pluma, que informou-lhes que tinha apenas um carro que passava em Balneário Camboriú e de lá saia um ônibus pra Brusque a R$12 a passagem e me perguntou se eu poderia fazer essa conexão. Chorando, eu disse que estava com 2 reais na carteira, pois não estava preocupada em comer na estrada e que só teria dinheiro depois, pois estava indo cantar lá e venderia CD´s. Com dó de mim, o tio me deu R$20 e me disse que era pra passagem e para o café da manhã. Saí chorando dali, mas agradecida a Deus e ao pessoal da ANTT.

O ônibus sairia às 20h15 e eu tinha por volta de 40 minutos antes da partida. Peguei a passagem, passei na Casa do Pão de Queijo e peguei um combo, com um suco e 8 paezinhos de queijo, para o lanche e fui até a plataforma indicada. Ali esperei, observando as pessoas ao meu redor. Umas 19h45, encostou um ônibus de 2 andares, nome da cidade diferente e fiquei ali esperando este sair, pra poder entrar no próximo. Sei que deram 20h05 e este ainda não tinha saído e então fui perguntar o horário de saída. E não é que era o meu? Quase o perdi. O que me intrigou foi o fato de que a moça reservou uma poltrona lá em cima. Fui à porta e olhei a escada. Meu coração gelou. Mas o motorista disse pra eu ficar tranqüila.

Bem, ele me colocou embaixo, me pediu pra não falar a ninguém que eu viajava de Passe Livre ali no leito e esta foi a viagem mais confortável da minha vida, já que pobre só anda de busão.

Continua...

NOVELA - Aprendendo a confiar em Deus - Capítulo 1

Eu iria contar que cantaria em Santa Catarina, na IASD de Lageado Baixo, Guabiruba-SC. Mas tantas coisas aconteceram, que é impossível contar apenas a visita. Um dia, quando teclava com Jairinho, comentei com ele que um dia eu conheceria a casa dele em Santa Catarina, bem como a igreja. Contei a ele do meu trabalho de contar da minha vida nas igrejas, mesclando com músicas, cantadas por mim, e ele achou a idéia fantástica. Aproveitando o fato de que ele é o diretor de Música da IASD de Lageado Baixo, disse que seria interessante lá pelo começo de agosto.

Era em abril, mais ou menos e parecia que demoraria uma eternidade. Mas o dia chegou logo; nem vi passar o tempo, por causa dos tantos problemas a serem resolvidos: a busca por um emprego, por uma casa, limpar o nome, etc... Deixaremos os problemas para serem mencionados mais tarde.

Me lembrei do ônibus que ia até Brusque, ao lado de Guabiruba, cidade onde mora o Jairo. Entrei na internet, a fim de pesquisar a(s) empresa(s), horários, etc. Percebi que os ônibus saíam à noite, acho que por causa da distância. Com este pensamento, programei de sair na quinta, 5 de agosto, chegando em Brusque na sexta de manhã. O Jairo também se programou por lá, com horas extras no trampo. a fim de ser todo "meu" na sexta, quando eu chegasse. Mobilizou a sobrinha, Tita, para me buscar com ele, de carro, bem como ajudar nas horas em que o Jairo não poderia fazê-lo.

O objetivo da viagem era o testemunho a ser contado aos irmãos dali. Entretanto, minhas últimas 4 semanas, após ter decidido colocar a minha vida nas mãos de Deus, de modo a abandonar as coisas que me afastavam de Deus e me faziam sentir uma hipócrita, sabe. Quando eu tomei tal decisão ao lado de Deus, as coisas começaram a piorar. A semana anterior foi a semana do Culto da Mata e todos os dias eu acordei às 4h15 da manhã, para ir aos cultos. Foi uma bênção a semana, mas nesta, nem comida eu tinha, pois as provações eram mais e mais intensas.

A semana da viagem estava punk. Tudo de errado estava ocorrendo. O meu mp4 estava com problemas pra ligar e eu entrei em contato com a Philips, a fim de dar um jeito, uma vez que o danado não foi barato e a configuração de restauração do mp4, orientada pelos atendentes, me fez perder todas as músicas do mp4, o programa que eu faria em SC. Isso foi na quarta.

À noite, eu cantaria na igreja em que frequento e ali eu descobri a tragédia ao entregar o mp4 pro sonoplasta, que me informou que eu não tinha nada nele. Cantei a capela duas músicas, sendo uma delas que falava que tudo era pro bem. Naquela noite, fiquei até mais de 1h da manhã procurando músicas, a fim de ao menos pegar os playbacks para o programa. Consegui baixar alguns, pegar outros do meu note, mas como eu tinha passado praticamente tudo pro mp4, uma vez que a capacidade do note era muito pequena. Assim, os playbacks eram os antigos; eu não estava muito feliz com isso, mas era o que eu tinha no momento.

Na quinta, 05 de agosto, a Cassia, pau pra toda obra (amiga que sinto saudades), me ajudou com a mala, deixando-a pronta para a viagem. As meninas me cobraram a resposta do dono da casa quanto ao fato de ficarmos ou não na casa até o fim do ano. Eu me coloquei à disposição para cuidar de pagar o aluguel e as despesas da casa em dia, para que pudéssemos ter mais tempo de procurar um lugar e dezembro seria a data limite pra isso; implorei por mais este prazo e garanti-lhes que eles não teriam a dor de cabeça que tiveram anteriormente. Eu estava cheia de coisas pra cuidar para a viagem. Mas eu também precisava saber o que fora decidido pelos donos da casa e assim, decidi por ir à casa do dito, antes de viajar. A dona da casa me disse que teríamos até o dia 10 para desocuparmos a casa e dali saí desconsolada. Que mais de errado poderia acontecer?

Continua...

NÃO PERCAM A NOVA NOVELA DA MILENE

Queridos, estou em recuperação pós cirúrgica e estou redigindo aos poucos os detalhes do meu passeio a Santa Catarina, que resultou em múltiplas fraturas.
Como percebi que está ficando grande demais, terei de fazer por capítulos, lembrando uma novelinha... hehe
Aguardem!!!