NOVELA – Aprendendo a confiar em Deus – Capitulo 7: A internação e a cirurgia

Nossa, tá rendendo a coisa... rs Mas não posso deixar de terminar a história. Mesmo sendo a autora e protagonista da novela, não sei como vai terminar. Espero que tenha um final feliz.
Continuando a saga, terminei minha última postagem, falando da minha chegada à casa de mamãe. Bem, agora seria um novo ambiente, uma nova forma de dormir, de fazer as necessidades… Segunda semana dormindo sentada. Quanta saudade de dormir de lado! Agora eu acordava várias vezes à noite, com dor no bumbum, nas costas. Eu tinha de levantar e me arrumar, deitar de novo e dormir por mais uma hora, se repetindo até o amanhecer.
Na sexta-feira, recebi a visita da Dra. Bianca, médica da família. Ela ficou um pouco preocupada com meu raio-X e me pediu pra levá-lo pra uma junta de ortopedistas da Santa Casa de Limeira, pois eram seus amigos e na segunda-feira, ela me ligaria, dizendo o que eles acharam do raio-X.
E na segunda-feira, ela me ligou, dizendo que a decisão seria minha; se eu quisesse operar, ela viria em 20 minutos me pegar com a ambulância, me internaria, eu seria operada no dia seguinte e, conforme minha recuperação, eu iria voltar pra casa na quarta-feira, 25 de agosto, meu níver. Se eu não quisesse operar, além de o processo ser demorado, eu correria o risco de embolia gordurosa, quando os ossos grandes do corpo – fêmur e tíbia – ao sofrerem fratura, libera o líquido que corre dentro deles, conhecido como tutano, indo para a corrente sanguínea, podendo entupir as veias coronárias ou algum vaso cerebral, resultando em parada cardíaca ou estado vegetativo respectivamente.
Eu fiquei pálida na hora, apavorada, meu peito apertou e não sabia o que fazer. Eu queria fazer o melhor. Mesmo com a angústia apertando o peito, o medo enorme, eu disse que ia operar. Liguei imediatamente pro Jairinho e pedi orações. Eu estava com o notebook da Ellen, minha irmã, e teclava com alguns amigos e o que veio à mente na hora foi pedir para que orassem por mim; mandei email pra alguns amigos, notificando o ocorrido e solicitando as preces. Em pouco tempo, a ambulância estava ali pra me remover para a Santa Casa de Limeira. Me colocaram em uma prancha de madeira, onde gritei muito. O trajeto da minha casa até a pista é um bom pedaço de terra e sacudia muito, o que me fez chorar muito e gritar a cada solavanco.
Chegamos na Santa Casa por volta das 11h, a doutora foi dar entrada nos papéis de internação e depois foi embora. A médica de plantão, uma residente metida a profissional de grande experiência, me mandou pro raio-X e depois pediu para que os meninos do gesso tirassem as talas móveis e colocassem talas de gesso. Eu gritei demais, pois dependendo de onde eles pegavam, era como se estivessem arrancando a perna. Eu estava cansada de tanta dor e a raiva daquela residente aumentava mais e mais. O que ela sabia ser ou não melhor pra mim? Tá certo que a tala móvel vai se afrouxando com o tempo, mas os calcanhares estavam livres e agora eu teria de aguentar aquela coisa dura.
Tinha uma menina em uma maca ao lado, que quebrara todo o lado direito do corpo em um acidente de carro e depois de ter operado um mês antes, estava de volta no hospital por estar com infecção hospitalar. Ela já estava um tanto depressiva com a própria situação e ao me ver aos gritos, ela chorava e comentava com a mãe, se perguntando como eu, com tanta dor, ainda ria e fazia piadas com o pessoal do gesso. As talas incomodavam muito, principalmente os calcanhares e senti que teria problemas. Eu pedi à minha mãe que guardasse as talas móveis, por não terem saído de graça e poderiam ser úteis depois.
Minha mãe e eu esperamos até as 19h40, quando vagou um leito e eu pude subir para o quarto. Vinte e três de agosto era o dia em que dei entrada ali na Santa Casa. Esperava poder chegar em casa e ainda celebrar meu aniversário, que seria no dia 25. No quarto, me deram janta, mas já colocaram um papel em cima da minha cama, informando que a partir da meia-noite, eu estaria em jejum absoluto. Operaria no dia seguinte e eu estava bem ansiosa com a cirurgia. No quarto, tinha três leitos e o meu era o do meio. Entre os leitos tinha uma poltrona reclinável de um lado e uma cadeira do outro. A poltrona fora ocupada por uma acompanhante e eu fiquei imaginando como a minha mãe dormiria. Ela disse que se viraria. Eu lhe sugeri utilizar o colchonete que foi colocado pra eu ficar encostada na maca, já que eu não coAo meu lado esquerdo, tinha uma senhora, Dona Maria, que se contorcia de dor nos rins; ela se acalmava quando lhe davam soro e remédio forte e assim ela conseguia dormir um pouco. Era angustiante vê-la abraçando as pernas e rolando na cama de dor. Ela dissera que tinha operado e achava que fosse alguma inflamação da cirurgia. Sua sobrinha comentou com a gente depois que os médicos suspeitavam de câncer, mas que ela não sabia disso. Uns três meses depois, ela nos informou que era câncer mesmo e que sua tia tinha morrido.
Ao meu lado direito, estava uma moça de uns 32 anos, mas que aparentava uns 50; ela era muito, mas muito magra. As enfermeiras nos disseram que ela tinha ganhado neném uma semana antes, mas que estava subnutrida. Ela não conseguia engolir, como se o tubo digestivo estivesse entupido e quando ela começava a tossir, saía uma secreção esbranquiçada e viscosa. Não tinha forças nem pra se sentar. Ela gemeu à noite toda e como ela estava sem acompanhante, minha mãe a ajudou bastante, enquanto ficamos ali.
No dia seguinte, fiquei em jejum até às 14h30, quando o médico foi me visitar no quarto e me informou que minha cirurgia fora adiada para o dia seguinte. Liberou minha dieta e se despediu. Minha mãe tinha saído e eu tinha pedido à ela para comprar um notebook, já que o outro estava quebrado e em casa, na hora em que eu mais precisava da net, minha irmã ia lá e pegava o note; afinal, era dela e eu não podia fazer nada. Não tinha TV no quarto (em casa) e eu assistia pela internet. Como eu tinha um dinheiro comigo, dei à minha mãe para dar de entrada e parcelar o restante, que seria pago pelo meu beneficio do INSS, que ela recebe. Ela chegou com uma caixa dentro da sacola das Casas Bahia, mas como eu nunca vira um notebook na caixa, fiquei meio relutante em chutar o que seria, pois a caixa estava embalada. Abri e ali estava o notebook. Ela toda feliz, com senso de missão cumprida, crente de que adquirira exatamente o que eu lhe pedira: 4GB de memória e 500GB de HD. O notebook é muito parecido com o da minha irmã; mesma marca, aparência, mas com praticamente o dobro de capacidade. Eu não queria dessa marca, mas ao mesmo tempo, eu estava feliz por ter um notebook novo. Então eu o liguei e comecei a procurar por algum sinal de wireless e achei alguns, mas não conseguia conectar. Mas pude explorar o conteúdo da máquina, ver os jogos que ela tinha e assim me distraí.
À noite, após a janta, o anúncio de jejum absoluto foi colocado em cima da minha cama. As próximas postagens serão diários escritos na Santa Casa, uma vez que eu não tinha o que fazer e contar o que eu sentia fazia o tempo passar.

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