As quedas fenomenais - Parte 2

Bem, acho que preciso continuar a relatar as peripécias de Milene. A experiência da Colportagem será inesquecível. Entretanto, há mais alguns episódios que gostaria de compartilhar.
Vamos dividir por anos. Não são muitas, mas ao menos menos as principais e inesquecíveis.

2003
Neste ano em especial, ano em que me mudei para Engenheiro Coelho, a fim de cursar Tradutor e Intérprete.
Em setembro, especificamente numa quarta-feira, dia em que minhas aulas começavam com Latim, ministrada pelo célebre Prof. Dr. Gerson Pires, hoje jubilado e que trabalha como missionário na África nos dias atuais.
Na época, minha cadeira motorizada vivia mais na manutenção do que comigo e como estava na cadeira manual, dependia da força movida a arroz e feijão dos que se disponibilizavam a me ajudar. A sala ficava no segundo piso, tendo uma rampa um tanto íngreme para o acesso.
Um aluno de jornalismo se ofereceu pra me ajudar e nas duas primeiras rampas, eu vi que ele levantava um pouco a parte traseira da cadeira bem no início da rampa.
Na terceira e última, rampa um pouco mais curta e íngreme, ele repetiu a operação e levantou a parte traseira da cadeira. Eu estava cheia de materiais em cima do colo, na época, eu não usava cinto de segurança e caí como uma abóbora de joelhos. Sou tão discreta quando caio, que todos os que estavam na faculdade me ouviram. Imediatamente a Profa. Ana me pegou e me arrumou no chão.
Eu gritava, dizendo que as duas pernas estavam quebradas, pois doíam muito. Meus pais foram acionados, bem como a ambulância. Demorou por volta de 30 minutos para a minha remoção para o hospital e para acalmar os ânimos, eu ficava falando besteiras, a fim de quem estava ao meu lado ria, para assim eu me acalmar.
O moço, coitado, ficou incolor, já que era branco. Depois disso, ele mal falava comigo, de vergonha por ter me derrubado.
Ao chegar no hospital, os raios X diagnosticaram fratura no tornozelo direito, que me rendeu uma botinha básica e na perna esquerda, uma fratura abaixo do joelho, resultando num gesso da virilha até o tornozelo. Acho que só pra este fato eu tenho como comprovar... Repare...rs


2005
Neste ano, quase repito a peripécia da dupla fratura. Estava eu linda e roliça, indo para o ensaio do coral, após o jantar do internato. Estávamos ensaiando no Auditório Central, que ficava atrás do refeitório.
Alguém muito legal estava fazendo algumas reformas no encanamento do colégio e fez um buraco de fora a fora na alameda ao lado do refeitório. Não colocaram sinalização e nem acenderam a luz. Imagina a abóbora se esborrachando no chão. Engraçado que caí na horizontal, à frente da cadeira. Os dois pés doíam e eu gritava, pra variar.
Fui no hospital, tiraram as chapas e o clínico mandou apenas enfaixar os pés, pois, segundo ele, não ocorrera nenhuma fratura.
E durante um mês, sofria todas as vezes em que a minha mãe me colocava no carro, na cama, no banheiro e todas as vezes chorava, gritava de dor. Lembro-me que a minha irmã me falou para eu parar de manha, pois já estavam todos cansados. Após esses doloridos 30 dias, minha mãe resolveu me levar novamente no hospital, pois a dor não parava.
Marcamos a consulta com o ortopedista que, olhando minha chapa do dia do acidente, disse que o meu pé estava quebrado... manha, né?

2008
É, parece que tinha dado uma pausa nas quedas. Em março desse ano, eu vim morar na capitar.
Mais ou menos em setembro, eu fora visitar a minha mãe no interior e fui de carona com uma colega de trabalho... se achando a moça aqui, colega de uma diretora... hehe
Esqueci o cinto no carro dela e, ao voltar para Sampa, fiquei por quatro dias, andando sem o cinto, até que na quinta-feira, devido a uma calça extremamente lisa, estava eu indo até o ponto de ônibus, quando pela falta de atenção, a cadeira enroscou na guia, já que eu andava um pedaço no meio fio e eu caí, feita uma jaca madura. O impressionante foi que ao cair, foi como se alguém tivesse virado o meu corpo e só senti uma leve batida atrás na cabeça no chão. O SAMU foi acionado e pela primeira vez, fui socorrida por eles, com direito a colar cervical, prancha, tala na perna, etc. Me levaram pra o hospital São Luiz, mas não pude ser atendida porque eles não atendiam Bradesco. Eles tinham tirado todos os aparatos ali e depois precisaram recolocá-los, para levar para outro hospital (sacanagem). Fui encaminhada para o São Leopoldo, onde pela primeira vez, fui auxiliada por homens para fazer xixi. Eram enfermeiros, mas nunca nenhum homem tinha tirado a minha roupa, visto a piriquita ou o bumbum, colocado a comadre embaixo de mim. Mas foi o melhor xixi dos tempos...rss
Bem, depois me encaminharam pro médico, tirei raio X, mas não deram qualquer fratura.
Um mês depois, estava eu no ponto de ônibus, quando a alça da minha bolsa enroscou no joystick da minha cadeira, que estava ligada, a qual saiu em disparada e ao tentar desligá-la, ela deu um rodopio e eu caí no corredor de ônibus, onde tinha um parado. Lembro de minha cabeça encostada no pneu deste. Comigo não ocorreu nada, mas com a cadeira, bem, consegui entortar a haste do encosto. Depois consegui que arrumassem pra mim.
No mês seguinte, estava agendada uma apresentação minha na IASD da Vila Maria. Minha amiga recomendou-me a ir de metrô até a estação Paulista (não sei se é isso). Ao chegar no Terminal Bandeira, o cara da Socican foi me ajudar na escada rolante. Como já havia utilizado a escada rolante algumas vezes, estava sossegada, pois sabia que o pessoal era treinado. O pessoal da Socicam utilizava a escada em movimento, mas de boa. Primeira escada, subida, sussa na montanha russa. Andamos pela passarela que liga o Terminal até a frente da estação Anhangabaú. Agora era a hora de descer a escada e sempre comentei que esta era muito íngreme. Ele destravou novamente a cadeira, e subiu na escada, me puxando com ele. Foi quando ele não conseguiu encaixar a cadeira e olhei-a descendo uns dois degraus e empinando, derrubando o mocinho e aí caí por cima dele, naquele estilo que todos já conhecem, gritando feito uma louca. A escada foi parada e um segurança fortão me pegou no colo e me colocou sentada na escada fixa e depois desceram a minha cadeira, agora com a outra haste entortada. Aí o pessoal da igreja me buscou de carro e ainda pude me apresentar na igreja e agradecer a Deus, pois nada ocorrera comigo, ainda que minha cadeira fora avariada. Eles custearam o conserto, para a minha alegria.
Depois deste evento, nunca mais me deixei ser conduzida por um funcionário da Socican pela escada rolante. Em alguns lugares, como estações de metrô, onde não há elevadores, o procedimento dos funcionários é de parar a escada, localizar a cadeira e fixá-la no degrau, dois a seguram e um terceiro liga a cadeira. Ao chegar embaixo, eu aciono-la e saio da escada. Às vezes, um metido a herói quer me levar sem desligar a escada, mas como uma amiga diz, eu gosto de causar e enquanto não chega pelo menos mais um funcionário e desliga a escada, eu não vou nem pagando. Traumatizei, né.

Mas aqui estou, viva, pela misericórdia divina. As quedas pararam por aqui. Mas há muita coisa que não contei, por falta de espaço, tempo e lembrança de alguns detalhes cruciais. Entretanto, creio que já deu pra vocês terem uma idéia das principais peripécias...rss Tenha um ótimo dia!!!

2 comentários:

  1. Milena adorei seu alto nível de humor, gostei de ter falado contigo, e lembre-se ainda continuo candidato a vaga tá....vc é muito bela, a beleza de Deus dá para se ver em vc podes crer.........!!!

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  2. Gostei do post rsrsrs sou cadeirante tb, de Campinas - SP.
    Smpre caio, principalmente quando tomas umas cervejas(queria que fosse apenas umas).
    Ultima vez que cai fazem 3 semanas, ams foi no trabalho, e acabei quebrando o braço esquerdo. falta de costume com a nova cadeira.
    Espero que possamos manter contato, meu email é wildurst@hotmail.com

    Bjs

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